Quando o país está em dificuldades, incêndios
quase descontrolados, este ano a área ardida atinge já os 30 mil e 155
hectares, com 4 mil e 592 incêndios registados até agora, o pior segundo ano da
década e ainda nos encontramos no princípio do Verão, o primeiro-ministro
Montenegro vai ver o futebol ao Canadá, para dar sorte à selecção “nacional
portuguesa”, como dizem os jornalistas avençados, e fazer do futebol (um dos 3
f’s de Salazar) um meio de se promover a ele e ao governo. Faz lembrar outra
ocasião semelhante ocorrida no ano passado, o país ardia de lés-a-lés e o chefe
do governo encontrava-se na festa do partido no Pontal, Algarve. Mas não só o
país está a ser destruído pelos fogos rurais, a escola pública vai queimando
lentamente com o caos da correção do exames nacionais, que este ano o ministro
da tutela, o mais habilitado para o cargo segundo outras doutas opiniões,
entendeu que as provas deveriam ser digitalizadas por uma empresa contratada
por ajuste directo e cuja identidade teima em esconder – a culpa do atraso das
correcções é dos professores e se algum cidadão se sentir prejudicado que
reclame que o “estado irá ressarcir”. Assim vai o estado do país e do governo,
que urge ser demitido, mergulhado no calor dos incêndios criminosos, na
confusão e na incompetência. Como aconteceu com a discussão e votação do “pacote
laboral”, o Luís esteve ausente em Bruxelas, porque sabia que o chumbo era mais
do que certo, agora o Luís vai à bola (por três vezes) e não está cá.
Quando o país arde, caos na Escola Pública
e liquidação do SNS
Em relação ao atraso da correcção dos exames,
que poderá vir a ser o caso do ano devido á inépcia do governo, tudo tem
acontecido. Ao contrário da promessa do ministro da Educação, ainda há
professores à espera de provas e com problemas na plataforma de classificação;
amanhã a plataforma estará fora de serviço. As datas para afixação dos
resultados das provas e dos exames da segunda fase foram adiadas. O ministro
teima em esconder a entidade responsável pelo sistema digital, sabendo-se que
este negócio rende às empresas privadas contratadas por ajuste directo mais de
sete milhões de euros – deve-se perguntar quais serão as comissões e quem as
recebe? Mais de 5 mil pais já assinaram petição para anular exames nacionais e
o ministro foge quando um grupo de pais se aproxima a fim de saber quais as
causas e medidas para resolver a questão. São as provas enfiadas em envelopes
amontoadas em prateleiras em armazém, denotando o desprezo do governo para com
os alunos da escola pública. E de forma displicente, o ministro ainda tem a
lata de afirmar que "se família demonstrar que houve prejuízo, o Estado
deve ressarcir". O “Estado”, neste caso, são os dinheiros públicos de
todos nós, se houver alguém que tiver de ressarcir que seja ele e o governo a
que pertence. O ministro não serve pela simples razão de que todo o governo não
presta.
O que se passa com a falta de água no concelho
de Almada é bem revelador da política praticada em muitas autarquias deste
país; neste concelho é protagonizada pelo PS, poderia ser pelo PSD. E diz um
pouco também da situação do SNS: “Centro de Saúde da Costa da Caparica fechou
hoje por falta de água”. Ao mesmo tempo, a ministra da saúde, ou melhor, a
comissária política para a liquidação do SNS diz ser "muito difícil"
manter atual rede de 168 urgências do país, e mais ainda, hospitais com
urgências fechadas vão sofrer cortes no financiamento. Enquanto fecha o público
prolifera o privado, incluindo a medicina curativa tipo banha da cobra: há 54
clínicas a promover-se como “medicina integrativa” sem qualquer controlo do
estado e já ganharam mais de um milhão de euros em fundos europeus. Quanto às PPP
para ULS, os privados, conhecendo as fragilidades do SNS, esticam a corda, a Lusíadas
Saúde admite nova PPP só com modelo melhorado, ou seja, com mais dinheiro. As farmácias
vão receber 7,9 milhões de euros por participarem na vacinação contra gripe e
covid-19. O SNS fechou 2025 com mais utentes, mais pessoas sem médico de
família e défice acima de mil milhões – que novidade, é tirar do público para
dar ao privado!
Um momento de viragem para a pobreza
Diz o chefe da bancada parlamentar do PSD que
o país vive "um momento de viragem", viragem miraculosa, mas virtual,
no seu débil entendimento, porque o país real, o que trabalha e não o que
defende acerrimamente a reforma laboral, está bem pior. Quatro em cada dez
portugueses dizem que o custo de vida para as famílias está pior do que há um
ano e 63% acreditam que continuará a piorar até ao final do ano. Se o número de
milionários (o país do governo) cresceu em Portugal em 2025, o cidadão
português mediano está a empobrecer continuamente desde a pandemia, 2020.
Portugal reflecte o que se passa a nível mundial, onde apenas 1,5% da população
controla quase metade do património global, ao mesmo tempo que a riqueza
mediana recuou na maioria dos países. Indubitavelmente, que o povo português
está mais pobre e os ricos cada vez mais ricos. É disto que o governo e Hugo
Soares, para quem Montenegro é o “amuleto da sorte”, podem gabar-se.
Montenegro garante que “Portugal está a
construir um modelo de baixos impostos”, mas para as grandes empresas e
especuladores financeiros. Soube-se que “as transferências de capitais de
clientes com contas bancárias em Portugal para instituições financeiras
localizadas em paraísos fiscais aumentaram 16,4% (1.325 milhões de euros) em
2025, para 9.400 milhões de euros, com a Suíça como primeiro destino dos
fluxos, segundo estatísticas do fisco” (da imprensa). Foram 9.629 pessoas em
nome individual e 8.615 empresas e outras pessoas coletivas que expatriaram
riqueza produzida pelo povo trabalhador em Portugal, não foram reinvestidos cá
e nem terão pagado os impostos devidos, relembrar que muitas empresas nacionais
possuem a sede em outros pontos da União Europeia. Há livre circulação de capitais,
de pessoas, incluindo trabalhadores, é que não. Estamos na Europa do capital,
não é também por acaso que os “portugueses são os segundos mais pessimistas na
União Europeia com evolução da qualidade de vida - Eurobarómetro”.
Enquanto o Fórum BCE chega à conclusão de que
a “imigração traz mais produtividade às economias”, melhor dizendo, Portugal
continuará a ser um país com base em baixos salários (e baixos impostos para o
Capital, segundo Montenegro), os preços das casas disparam 17,8% só num ano. Pela
lógica, os salários deveriam ter um aumento semelhante no mesmo período de
tempo, mas não é o que acontece, o fluir da riqueza faz-se sempre do Trabalho
para o Capital. Enquanto os novos ricos compram 146 carros de luxo por dia, a Porsche
foi a marca de luxo mais vendida em Junho, com 85 automóveis matriculados, dados
de Junho da ACAP, o “PIB per capita em paridades de poder de compra (PPC) de
Portugal em percentagem da União Europeia (UE) é de 77,0% da UE em 2025,
surgindo assim na 22ª posição” (da imprensa). Bastante abaixo dos 81,3% nos
dados originais da Comissão Europeia (CE), valores corrigidos por estudo de
2025 da FEP Faculdade de Economia e Gestão da Universidade do Porto. Ou seja,
há uma grande fraude quanto à “convergência portuguesa”, somos o 6º país mais
pobre da UE.
Governo de Montenegro/PSD/CDS agente de
negócios do Capital
Em Maio, a dívida pública aumenta para 288,7
mil milhões, segundo o Banco de Portugal, crescimento em parte graças á
burguesia rentista que vive dos negócios com o estado. O presidente da
Associação Portuguesa das Concessionárias de Autoestradas e Pontes, Manuel Melo
Ramos, não esteve com meias palavras: “Já chega de abolições de portagens,
senão vamos dar cabo do sistema”. Vale dar cabo dos dinheiros públicos é a
lógica desta gente, que não quer ver os privilégios e os lucros tocados. Esta
burguesia ociosa fica bem representada, por exemplo, na família Berardo: o
comendador confrontado em sede da comissão parlamentar de inquérito com as dívidas à CGD,
ao BCP e ao então Banco Espírito Santo, que ascendiam a 1 mil e 027 milhões de
euros, declarou que não tinha dívidas e apenas possuía em seu nome uma garagem,
agora soube-se que a mulher faleceu deixando uma fortuna de 140 milhões de
euros que serão herdados pelos filhos e netos. Mais palavras para quê, é uma
família portuguesa!
No mesmo sentido se deve entender a privatização da CP, depois do governo do PS ter investido 1,8 mil milhões de euros na aquisição de novos comboios - CP “fatiada” em quatro: Governo prepara subconcessão de linhas suburbanas. Cascais, Sintra-Azambuja, Sado e o conjunto das linhas suburbanas do Porto deverão ser exploradas por privados, mas sob a marca CP (da imprensa). Quanto à TAP, tudo indica que será a alemã Lufthansa a ficar com o bolo por inteiro, tendo já iniciado a construção de uma fábrica em Santa Maria da Feira. Para quem tivesse ainda algumas dúvidas, o antigo chairman da transportadora aérea, Miguel Frasquilho, é claro: "a TAP é uma empresa apetecível, vai trazer valor a quem se tornar acionista". Se não fosse “apetecível”, ou seja, geradora de grandes e garantidos lucros ficaria na posse do estado. O PSD nunca conseguiu esconder a sua febre privatizadora, lembremo-nos do governo de Passos Coelho que foi “além da Troika”. A seguir será a Segurança Social (SS) a ser entregue aos privados, bancos, seguradoras, fundos de investimento, de preferência estrangeiros. A ministra do Capital (não do Trabalho), que não desiste do “pacote laboral”, dará a conhecer o relatório para a sustentabilidade da SS dentro em breve.
Vários ministros já mostraram sobejamente que
são uma fraude, da Saúde, do Trabalho, da Educação, pela simples razão de que o
governo que integram também é uma fraude – um engano onde muitos eleitores
portugueses caíram, mas caíram porque quiseram, os avisos eram muitos e
visíveis – e liderado por um político sempre de riso sardónico para encobrir
uma grande falta de seriedade e de coragem política. Este governo terá se ser
demitido, nem que seja para bem da saúde pública do povo português. O PR Seguro
terá alguma coisa a dizer sobre a urgência do assunto ou os trabalhadores terão
de vir de novo para a rua?
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