A juventude está na rua a reclamar mais habitação e a preços acessíveis, quer um futuro que o governo de Montenegro/PSD/CDS lhe nega e em vez disso manda-lhe a repressão policial. Este descontentamento, manifestado ainda em revolta incipiente, faz parte do sentimento mais geral e bem patente no seio do povo português. Não uma “importação” à última hora da “instabilidade" de lá de fora, como diz o primeiro-ministro, numa imagem muito invocada pelo fascismo em situações semelhantes. A cobardia dos arrogantes é indisfarçável ao afirmar que problema da habitação "não se resolve com tumulto" e avisando que "não vai ceder aos gritos que vêm da rua". Mas vai, o governo irá cair na rua. Quanto mais violência policial, maior será a revolta. O resultado da repressão foram 37 feridos, dois deles graves, são sementes que irão germinar. Quase de certeza que a esta hora o presidente da câmara do Porto estará arrependido de ter afirmado que seria “implacável” para com os manifestantes, já que depois da repressão o número de manifestantes se multiplicou por 100 e concitou o apoio de muitos cidadãos. Mais e maiores manifestações surgem no horizonte - a faúlha incendeia a pradaria.
Os "egoístas" de Montenegro derrubarão o governo PSD/CDS
Entretanto, o salário de quem trabalha mingua face
à carestia galopante de vida, combustíveis a preços estratosférico e alimentos
a subir logo atrás, acesso cada vez mais difícil aos cuidados de saúde e à
educação dos filhos dos trabalhadores, degradação acelerada da Escola Pública, ausência
de transportes públicos de qualidade e falta de casas para viver, enquanto há
mais de 300 mil casas vazias e prontas a habitar. Contudo, o governo acaba de alterar a
lei das rendas que transforma uma renda de 2300 euros em renda “acessível”, não
de certeza para quem aufere o salário mínimo de 920 euros ilíquidos. Não faltará
muito tempo para que a contestação popular engrosse em enorme caudal que saltará
forçosamente as margens da legalidade, agora tão ciosa e hipocritamente defendida
por quem faz de um direito consagrado na Constituição um chorudo negócio.
Enquanto reprime os manifestantes na cidade do Porto, o governo vai pedir a aprovação da Assembleia da República mais 334 milhões de euros para tapar o buraco deixado pela falência fraudulenta dos bancos, já depois de estes terem recebido cerca de 20 mil milhões de euros. Vende por dez reis de mel coado a TAP aos alemães da Lufthansa, como já era de esperar, apresentando a transação como um grande negócio, fazendo jus à tradição de vendilhão dos governos PSD/CDS – o país vai sendo vendido a retalho ao estrangeiro. E depois de ter apresentado um Orçamento de Estado para 2027 que, resumidamente, prevê: continuar a diminuir o investimento público; baixar os impostos aos ricos (IRS), às grandes empresas (IRC) e aos senhorios, que podem especular nas rendas ficando isentos de impostos; o descongelamento das propinas; o corte de 1,5% na Saúde e no Ensino Superior; aumento irrisório dos salários dos trabalhadores do estado; criação de saco azul (“despesas extraordinárias”) para dar aos amigos 19,8 mil milhões de euros. É o fartar vilanagem!
A carga policial, como outras no passado, e os
escândalos de corrupção, abusos de poder e violência excessiva por parte das
forças policiais, vão abrindo os olhos do cidadão comum sobre a natureza e os
reais objectivos destas forças ao serviço do estado e da oligarquia: reprimir o
trabalhador e o pobre, enquanto defende o rico e o poderoso. O estado que temos
é abertamente um estado de classe e as polícias estão ao seu serviço, porque é para isso
mesmo que são pagas. No entanto, não deixa de ser curioso ver os agentes, que
fazem modo de vida a repressão do cidadão que lhes paga o ordenado, reclamar melhores
salários e condições de “trabalho”. Para o que fazem, achamos que ganham até demais
e possuem privilégios indevidos, jamais a profissão de polícia, bem como a de juiz,
deveria ser vitalícia, mas só por algum tempo e em modo de serviço do povo e da
sociedade, uma espécie de serviço cívico. É bom que se convençam que a partir
de certo ponto os "comportamentos de resistência" dos manifestantes
serão em razão directa da violência policial.
Os salvadores da pátria (capital) querem o fascismo
Passos Coelho de vez em quando sai do armário
e dá uma de aconselhamento ao governo e a Montenegro, estes têm de ser
assumidamente “reformadores”, estão a ser brandos, devem ser mais determinados nas “reformas”.
Esta aventesma que ficou conhecida por nada ter feito de útil na vida, ter tirado uma licenciatura aos 37 anos, e depois, à frente do
governo mais reaccionário após o 25 de Abril, foi “além da Troika”; isto é, impôs
uma política de austeridade que lançou grande parte do povo, incluindo a dita “classe
média”, na maior das pobrezas. Parece que agora quer repetir a dose, que será a
dobrar, atendendo à crise económica que se avizinha, apelando ao endurecimento
do governo ou, em alternativa, à sua substituição por um outro que o tenha como
líder. Terá de fazer um golpe de estado dentro do PSD para alcançar tal objectivo;
o que, por este andar, nem será tarefa assaz difícil.
Pelas recentes sondagens, a AD está a
afundar-se continuamente. Segundo a última, fica bem atrás de PS e Chega, estes
em empate técnico, Carneiro surge como o mais provável
primeiro-ministro e o 4º pastorinho como o líder da oposição. PSD e CDS serão
descartáveis, embora este último não passe de um anexo sem existência própria. Para
obviar o desastre, parece que o plano, ainda em fase experimental, será fascizar
o PSD. Este assume abertamente o programa da extrema-direita e assim lançará para lugar irrelevante o partido trauliteiro. Ainda estamos à espera de saber
quem vandalizou o gabinete das alimárias e fazemos votos que a provocação que ocorreu
em Coimbra, com a invasão das instalações da AAC e da RUC, não fique impune. Na
prática não há grande diferença entre estes arruaceiros e os presidentes da
câmara do Porto, uns actuam violando a legalidade, os outros invocando a dita, mas
os fins são os mesmos: intimidar, lançar o medo e levar o povo a aceitar as
suas políticas celeradas.
Talvez não tenhamos de esperar muito para
vermos, tal como aconteceu no 25 de Abril, o povo ocupar as casas devolutas, já
que o governo Montenegro/PSD/CDS não faz outra coisa senão agravar o problema.
E a solução não será assim tão difícil para transformar o Direito à Habitação em
uma realidade palpável: investimento em habitação social, temos 2% enquanto a
média na UE é de cerca de 23%; recuperação dos edifícios públicos abandonados
para habitação; tomada de posse administrativa das habitações vazias em caso de
recusa dos senhorios, a lei prevê esta medida; expropriação das casas que os
bancos usam apenas como activo especulativo; proibição de compra de casas por
parte de estrangeiros não residentes. Ou então, como em 1974 e 75, O Povo
Ocupa as Casas!


