Relembrar a privatização da EDP pelo governo de Passos Coelho/PSD associado a CDS/Paulo Portas, processo que passou por várias fases terminando em 2011 com a abertura à participação maioritária do estado chinês.
Depois de assentar a poeira das manifestações
de indignação na imprensa séria e na blogosfera provocadas pelas nomeações para
o conselho de supervisão da EDP de seis caciques políticos dos partidos do
governo, não temos muito mais para dizer: é mais do mesmo e está na lógica
deste capitalismo provinciano à beira mar plantado. Sempre assim foi em todos
os governos constitucionais, e até mesmo antes; está no seguimento da velha
tradição, se formos dar uma olhadela à história do reino não se descobre nada de
diferente: durante o antigo regime, na monarquia constitucional, na primeira
república e no fascismo; e na democracia de Abril, nem o PS de Soares nem o PSD
de Cavaco fez coisa diversa. Qual a admiração então, no governo mais
reaccionário depois do governo de Marcelo Caetano (quanto a esta questão já
estamos a colocar algumas reticências…), destas nomeações ou de, em seis meses,
este governo ter dado emprego, em média, a mais boys do que o governo anterior
do PS nos dois primeiros anos?
Outra pretensa admiração prende-se com o facto
destas aves raras terem sido nomeadas pelos novos patrões chineses já que estes
desconheceriam aparentemente estes figurões ou do novo patrão ser o próprio
estado chinês, um regime aparentemente “comunista” mas que mais não é que o
poder instituído de uma burguesia de estado, gerindo uma economia abertamente
capitalista. Só na aparência é que haverá contradição, porque esta realidade também
se encontra dentro da lógica: o capitalismo de estado convive com o capitalismo
privado e até lhe serve de suporte, e para a nossa burguesia rentista é-lhe
indiferente quem é que compra as empresas do Estado desde que pague em dinheiro
vivo e este entre nos bolsos certos.
A EDP foi vendida a preço de saldo, a seguir
irá a REN e a PT e quase de certeza que os chulos a nomear pelo governo, para
estas empresas depois de privatizadas, não deixarão de ser caras conhecidas,
confirmando as palavras do Catroga quanto, na sua opinião, às razões da escolha
da sua pessoa: uma cara (e chulo) “conhecida”. Como já deveriam ser conhecidas
do governo chinês as restantes caras: Cardona (que foi ministra sem saber ler
nem escrever e foi responsável pela pior reforma feita na Justiça), Paulo Teixeira
Pinto (que foi corrido do BCP/Millenium com uma reforma mensal
de 35 mil euros e uma indemnização de 10 milhões de euros), Rocha Vieira
(ex-governador de Macau), Braga de Macedo (ex-ministro de Cavaco e agora
financia com dinheiros públicos as exposições artísticas da filha)... isto não
é uma lista de órgãos societários, é a lista de agradecimentos de Passos Coelho
– como alguém diz – e a pouca vergonha é tal que até o antigo patrão de Passos,
Ilídio Pinho, foi contratado.
Enquanto os rendimentos dos portugueses irão
cair em 10 % neste período de crise, considerado pelo Banco de Portugal entre
2011-2013 – que será bem à vontade mais do dobro, com o consumo privado a cair
em 12% e o de bens duradouros em 40% –, os caciques do costume, os apparatchik do
regime ligados aos partido do governo, irão arrecadar indevidamente muitos
milhares de euros por mês, numa verdadeira afronta ao povo e aos trabalhadores
portugueses (Catroga à pensão milionária de cerca de 10 mil euros acrescentará
um ordenado mensal de 45 mil euros, a multiplicar 14 , e a esta gente não são
cortados os dois subsídios, é só fazer as contas – uma verdadeira ladroagem!).
Para além das “caras conhecidas” que são os
papás, os filhos não degeneraram e saem aos seus. Ao que se sabe, e mais
haverá, fazem parte dos quadros da PT os filhos/as de: Teixeira dos
Santos, António Guterres, Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa, Edite
Estrela, Jorge Jardim Gonçalves, Otelo Saraiva de Carvalho, Irmão de Pedro
Santana Lopes. Estão também nos quadros da empresa, ou da subsidiária TMN, os
filhos de: João de Deus Pinheiro, Briosa e Gala, Jaime Gama, José Lamego, Luís
Todo Bom, Álvaro Amaro, Manuel Frexes, Isabel Damasceno. E para efeitos de
"pareceres jurídicos" a PT recorre habitualmente aos serviços de
alguns papás: Freitas do Amaral, Vasco Vieira de Almeida, Galvão Telles. Ao
contrário de algumas dezenas de milhar de jovens licenciados, estes filhos
família (da mãe) não precisaram de emigrar e não foi graças às suas elevadas
qualidade ou notas de curso que arranjaram os bons empregos e… para toda a
vida, se o caldo (social) não se entornar.
As soluções que o sistema capitalista tem para
a crise é sobrecarregar os trabalhadores assalariados com mais impostos, menos
salários, mais dias de trabalho, mais despedimentos, mais precariedade,
enquanto aumenta os lucros dos capitalistas e os proventos e mordomias dos seus
homens de mão. Na Europa, onde o capitalismo parece ter completado o ciclo,
nada mais há a esperar quanto a benefícios para quem trabalha; ou seja, dentro
do sistema capitalista não há saídas da crise favoráveis, mesmo que a prazo, ao
povo que trabalha. Um dias destes, o seu derrube radical será um facto
incontornável e poderá acontecer quando menos se esperar, será quando o
proletariado e o povo decidirem.
18 de Janeiro 2012

Nenhum comentário:
Postar um comentário