Finda um ano e entra outro, mas a política imposta pelo governo Montenegro/PSD/CDS será a mesma, embora envolta em papel de rebuçado para iludir os incautos com a sua “reforma laboral”: aumentar a precaridade, facilitar e embaratecer os despedimentos com a alegação que irá aumentar o emprego e subir os salários dos trabalhadores. Ora, o que irá subir garantidamente são os lucros das empresas e dos patrões, com especial relevância para as grandes empresas e grandes patrões e bancos. Com a companhia do aumento do preço dos bens de primeira necessidade, alimentos, habitação, transportes; processo que se fará em sentido contrário ao acesso à Saúde e Educação. Em 2026 o empobrecimento de quem trabalha disparará, bem como as falências de pequenas e algumas médias empresas incapazes de enfrentar a concorrência, pelas fronteiras escancaradas impostas por Bruxelas.
Não é despiciendo referir os resultados desastrosos
para quem trabalha dos 40 anos da entrada na então CEE, agora União Europeia. Ao
contrário do que diz o PR/Rei Marcelo, a entrada no mercado europeu não foi uma
vitoria importante do 25 de Abril, quanto muito foi uma aposta, incerta em
termos económicos, da oligarquia nacional após o 25 de Novembro de 1975. Por um
lado, foi também quere angariar possível apoio externo em caso do populacho
descontente optar por alguma revolução – a elite não ganhou para o susto com o
facto de o povo português ter saído à rua após o 25 de Abril a exigir uma
revolução e não uma reforma.
“Reforma laboral” para aumentar a riqueza
de uns e a pobreza de outros
Na mensagem de ano novo, Montenegro reafirmou
o que dissera pelo Natal, assumir a "mentalidade Cristiano Ronaldo"
para fazer crescer o país – qual deles? – e insistiu que a reforma laboral é
essencial para "salários dignos", deixando no ar mais uma vez se a “reforma”
não for para diante ou não resultar – desregulamentar o trabalho só trará mais
enriquecimento para o patronato e mais miséria para os trabalhadores – a
responsabilidade será destes últimos. Não souberam a aproveitar a oportunidade
por falta de ambição, não ousaram imitar o Ronaldo. Está o recado dado,
sabendo-se de antemão qual vai ser o resultado, a “personalidade nacional do
ano” enche o peito de ar e tenta espantar o espectro de o seu governo não
chegar ao fim de mandato – parece ser o principal temor do homem da Spinumviva.
Na realidade, “menos impostos” (para os ricos)
e “flexibilidade laboral”, igual a salários mais baixos, é a conclusão a tirar.
Com o aumento das verbas para a indústria e comércio do armamento e fomento da
guerra menos dinheiro haverá para a Saúde, Educação, Segurança Social, Habitação
para o povo, ou para investir em infra-estruturas públicas ou no próprio
desenvolvimento económico do país. E os cidadãos só irão ver o que vai ser esta
política de “canhões em vez de manteiga”, quando o preço do cabaz de alimentos
ultrapassar os 4,55%, aumento no último ano, quase o dobro da taxa oficial de
inflação.
Muitos cidadãos irão abrir a pestana e
revoltar-se quando observarem que os salários reais em vez de aumentar estão a diminuir,
ao contrário do que acontece com os salários dos boys dos partidos do governo,
como acontece com a equipa gestora do Metro de Lisboa em que a Presidente fica
com salário igual ao do primeiro-ministro. Salários de trabalhadores bem longe
dos administradores do Banco de Portugal, cujo governador embolsa nada mais
nada menos que 19.496,39 euros mensais, o equivalente a 22 salários mínimos, e
os administradores “apenas” 17 mil euros. A miséria não combina com paz social.
Mais dinheiro para a guerra: menos comida,
menos saúde, menos educação para os cidadãos
A pobreza tem aumentado nos últimos dez anos, principalmente durante o consulado de Costa/PS, e daqui para a frente irá ultrapassar as
admiráveis metas já atingidas: cerca de 1 milhão e meio de trabalhadores assalariados ganham
actualmente 920 euros ou menos; o número de pessoas sem abrigo triplicou em
menos de uma década e irá disparar porque ter um emprego e receber um salário
não é sinónimo de sair da pobreza. Contudo, o governo de Montenegro vai
investir fortemente na guerra, 3,5% do PIB até ao fim do mandato, e não daqui a
10 anos, e considera que os 5% são meta “aceitável”.
As contas estão feitas, são precisos 67 mil
milhões de euros só em equipamento nas próximas duas décadas, algo como 3.500
milhões de euros por ano, valores estimados pelo principal conselheiro militar
do ministro da Defesa; figurão incompetente que já urdiu a compra nos próximos tempos de cerca de 6
mil milhões de euros de material de militar sem concurso público. Enquanto fabricantes
e negociantes de armamento e ministros que assinam os contratos enriquecem, o
povo empobrece.
O primeiro-ministro está fortemente empenhado
na guerra, não hesitou em visitar o comparsa ucraniano para tratar de negócios
sobre armamento, precisamente numa altura em que nenhuma primeira figura
política coloca os pés em Kiev. Ainda teve o desplante de afirmar que enviaria
tropas portugueses em eventual tempo de paz, sabendo-se que a guerra está para
durar e que tropas estrangeiros em território ucraniano são consideradas “alvo
legítimo” para a Rússia, conforme afirmado pelo seu ministro dos Negócios Estrangeiros.
Esperemos que Montenegro envie para lá os
filhos e restantes familiares com idade para tal, já que, diz o mesmo
conselheiro, Portugal precisa de mais oito mil militares para atingir o
objetivo legal de um efetivo de 32 mil nas Forças Armadas, prevendo-se até 36
mil nos próximos 20 anos. Os media mainstream estão já a preparar a opinião
pública para aceitar a guerra e ver com bons olhos os jovens portugueses a
morrer a bem dos interesses dos senhores das armas e do grande capital
financeiro que sempre é, em última instância, o maior beneficiário de todas as
guerras – que o diga a família Rothschild!
A saúde será, e já está a ser, o sector
mais sacrificado em 2026
A par da guerra será a Saúde o outro tema a
ser mais debatido no ano de 2026, porque é o mais emocional e fisicamente
sentido pela maioria dos portugueses – o SNS vai sofrer a machadada final, caso
o povo português não se revolte. A prática tem sido até agora o de
descapitalizar o SNS em todas as vertentes mas de forma gradual e disfarçada
(modus operandi do PS). A partir deste mês de Janeiro vai ser em marcha mais
acelerada do que o governo fez em 2025.
A lógica da política que tem presidido à
destruição do SNS fica bem patente no caso, recentemente relatado pelos media,
de operação urgente a um cidadão de cinquenta anos com tumores cerebrais que
foi já adiada quatro vezes em 20 dias no Hospital Egas Moniz que, por sua vez,
não considera “urgência”, esperando talvez que a pessoa recorra ao privado ou
entretanto morra.
Os negociantes da doença prevêem investir mais
de 1.500 milhões de euros em zonas onde o SNS enfrenta dificuldades de
funcionamento, dificuldades essas criadas propositadamente pelo governo. Como denuncia
a FNAM, “há quase uma transferência direta” do público para o privado de
profissionais, de doentes e de meios financeiros. E mais ainda, a partir do
início do ano as Unidades Locais de Saúde já podem firmar convenções com médicos
fora do SNS para dar resposta aos cidadãos que, devido às políticas do PS e do
PSD, ficaram sem médico de família – ACSS confirmou 469 vagas por preencher no
internato médico, o pior resultado dos últimos anos.
O INEM vai deixa de ter ambulâncias. “Socorro
e transporte de doentes em urgência vai ser feito pelos bombeiros e por
privados, que passam a formar os profissionais” – medidas que fazem parte da
“refundação” do INEM. E clientes não faltarão para o negócio: quase 131.803 acidentes
e 388 mortos nas estradas portuguesas no ano de 2025, até 27 de Novembro, dados
provisórios da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Em Coimbra, “espera
mais de 30 minutos por ambulância após queda”, o óptimo pretexto para privatizar
o INEM. Nada acontece por acaso. As urgências de obstetrícia e pediatria do SNS
seguem o mesmo processo. Marcelo, armado em bom já que está de saída, devolveu ao
governo os decretos-leis para “reformar a saúde”, que será para concretizar – uma
fé!
Este ano de 2026 será bem pior que 2025
Será o ano do empobrecimento dos portugueses,
não de todos, do dinheiro que vai para a guerra, mas que irá faltar na Saúde,
da propaganda sobre as virtudes da política governamental, e da utilização do
futebol, o Mundial irá realizar-se em terras do Tio Sam, como anestésico
social. E, a nível externo, iremos assistir a novas intervenções do Império –
começaram hoje com a agressão à Venezuela e sequestro do seu presidente – com o
objectivo de saquear as riquezas dos países que bem entender, e à escalada da guerra
na Ucrânia. Em suma, à reorganização das zonas de influência das três potências
mundiais e ao início – não é ideia disparatada atendendo ao andar da carroça –
de uma nova guerra mundial, como consequência e possível solução (provisória) para
a crise profunda e estrutural do capitalismo a nível global. O governo de Montenegro/PSD/Chega será um fiel lacaio.
Imagem recolhida na net.
