terça-feira, 7 de julho de 2026

O país arde, caos nos exames, saúde desfalece e o Luís vai à bola

Quando o país está em dificuldades, incêndios quase descontrolados, este ano a área ardida atinge já os 30 mil e 155 hectares, com 4 mil e 592 incêndios registados até agora, o pior segundo ano da década e ainda nos encontramos no princípio do Verão, o primeiro-ministro Montenegro vai ver o futebol ao Canadá, para dar sorte à selecção “nacional portuguesa”, como dizem os jornalistas avençados, e fazer do futebol (um dos 3 f’s de Salazar) um meio de se promover a ele e ao governo. Faz lembrar outra ocasião semelhante ocorrida no ano passado, o país ardia de lés-a-lés e o chefe do governo encontrava-se na festa do partido no Pontal, Algarve. Mas não só o país está a ser destruído pelos fogos rurais, a escola pública vai queimando lentamente com o caos da correção do exames nacionais, que este ano o ministro da tutela, o mais habilitado para o cargo segundo outras doutas opiniões, entendeu que as provas deveriam ser digitalizadas por uma empresa contratada por ajuste directo e cuja identidade teima em esconder – a culpa do atraso das correcções é dos professores e se algum cidadão se sentir prejudicado que reclame que o “estado irá ressarcir”. Assim vai o estado do país e do governo, que urge ser demitido, mergulhado no calor dos incêndios criminosos, na confusão e na incompetência. Como aconteceu com a discussão e votação do “pacote laboral”, o Luís esteve ausente em Bruxelas, porque sabia que o chumbo era mais do que certo, agora o Luís vai à bola (por três vezes) e não está cá.

Quando o país arde, caos na Escola Pública e liquidação do SNS

Em relação ao atraso da correcção dos exames, que poderá vir a ser o caso do ano devido á inépcia do governo, tudo tem acontecido. Ao contrário da promessa do ministro da Educação, ainda há professores à espera de provas e com problemas na plataforma de classificação; amanhã a plataforma estará fora de serviço. As datas para afixação dos resultados das provas e dos exames da segunda fase foram adiadas. O ministro teima em esconder a entidade responsável pelo sistema digital, sabendo-se que este negócio rende às empresas privadas contratadas por ajuste directo mais de sete milhões de euros – deve-se perguntar quais serão as comissões e quem as recebe? Mais de 5 mil pais já assinaram petição para anular exames nacionais e o ministro foge quando um grupo de pais se aproxima a fim de saber quais as causas e medidas para resolver a questão. São as provas enfiadas em envelopes amontoadas em prateleiras em armazém, denotando o desprezo do governo para com os alunos da escola pública. E de forma displicente, o ministro ainda tem a lata de afirmar que "se família demonstrar que houve prejuízo, o Estado deve ressarcir". O “Estado”, neste caso, são os dinheiros públicos de todos nós, se houver alguém que tiver de ressarcir que seja ele e o governo a que pertence. O ministro não serve pela simples razão de que todo o governo não presta.

O que se passa com a falta de água no concelho de Almada é bem revelador da política praticada em muitas autarquias deste país; neste concelho é protagonizada pelo PS, poderia ser pelo PSD. E diz um pouco também da situação do SNS: “Centro de Saúde da Costa da Caparica fechou hoje por falta de água”. Ao mesmo tempo, a ministra da saúde, ou melhor, a comissária política para a liquidação do SNS diz ser "muito difícil" manter atual rede de 168 urgências do país, e mais ainda, hospitais com urgências fechadas vão sofrer cortes no financiamento. Enquanto fecha o público prolifera o privado, incluindo a medicina curativa tipo banha da cobra: há 54 clínicas a promover-se como “medicina integrativa” sem qualquer controlo do estado e já ganharam mais de um milhão de euros em fundos europeus. Quanto às PPP para ULS, os privados, conhecendo as fragilidades do SNS, esticam a corda, a Lusíadas Saúde admite nova PPP só com modelo melhorado, ou seja, com mais dinheiro. As farmácias vão receber 7,9 milhões de euros por participarem na vacinação contra gripe e covid-19. O SNS fechou 2025 com mais utentes, mais pessoas sem médico de família e défice acima de mil milhões – que novidade, é tirar do público para dar ao privado!

Um momento de viragem para a pobreza

Diz o chefe da bancada parlamentar do PSD que o país vive "um momento de viragem", viragem miraculosa, mas virtual, no seu débil entendimento, porque o país real, o que trabalha e não o que defende acerrimamente a reforma laboral, está bem pior. Quatro em cada dez portugueses dizem que o custo de vida para as famílias está pior do que há um ano e 63% acreditam que continuará a piorar até ao final do ano. Se o número de milionários (o país do governo) cresceu em Portugal em 2025, o cidadão português mediano está a empobrecer continuamente desde a pandemia, 2020. Portugal reflecte o que se passa a nível mundial, onde apenas 1,5% da população controla quase metade do património global, ao mesmo tempo que a riqueza mediana recuou na maioria dos países. Indubitavelmente, que o povo português está mais pobre e os ricos cada vez mais ricos. É disto que o governo e Hugo Soares, para quem Montenegro é o “amuleto da sorte”, podem gabar-se.

Montenegro garante que “Portugal está a construir um modelo de baixos impostos”, mas para as grandes empresas e especuladores financeiros. Soube-se que “as transferências de capitais de clientes com contas bancárias em Portugal para instituições financeiras localizadas em paraísos fiscais aumentaram 16,4% (1.325 milhões de euros) em 2025, para 9.400 milhões de euros, com a Suíça como primeiro destino dos fluxos, segundo estatísticas do fisco” (da imprensa). Foram 9.629 pessoas em nome individual e 8.615 empresas e outras pessoas coletivas que expatriaram riqueza produzida pelo povo trabalhador em Portugal, não foram reinvestidos cá e nem terão pagado os impostos devidos, relembrar que muitas empresas nacionais possuem a sede em outros pontos da União Europeia. Há livre circulação de capitais, de pessoas, incluindo trabalhadores, é que não. Estamos na Europa do capital, não é também por acaso que os “portugueses são os segundos mais pessimistas na União Europeia com evolução da qualidade de vida - Eurobarómetro”.

Enquanto o Fórum BCE chega à conclusão de que a “imigração traz mais produtividade às economias”, melhor dizendo, Portugal continuará a ser um país com base em baixos salários (e baixos impostos para o Capital, segundo Montenegro), os preços das casas disparam 17,8% só num ano. Pela lógica, os salários deveriam ter um aumento semelhante no mesmo período de tempo, mas não é o que acontece, o fluir da riqueza faz-se sempre do Trabalho para o Capital. Enquanto os novos ricos compram 146 carros de luxo por dia, a Porsche foi a marca de luxo mais vendida em Junho, com 85 automóveis matriculados, dados de Junho da ACAP, o “PIB per capita em paridades de poder de compra (PPC) de Portugal em percentagem da União Europeia (UE) é de 77,0% da UE em 2025, surgindo assim na 22ª posição” (da imprensa). Bastante abaixo dos 81,3% nos dados originais da Comissão Europeia (CE), valores corrigidos por estudo de 2025 da FEP Faculdade de Economia e Gestão da Universidade do Porto. Ou seja, há uma grande fraude quanto à “convergência portuguesa”, somos o 6º país mais pobre da UE.

Governo de Montenegro/PSD/CDS agente de negócios do Capital

Em Maio, a dívida pública aumenta para 288,7 mil milhões, segundo o Banco de Portugal, crescimento em parte graças á burguesia rentista que vive dos negócios com o estado. O presidente da Associação Portuguesa das Concessionárias de Autoestradas e Pontes, Manuel Melo Ramos, não esteve com meias palavras: “Já chega de abolições de portagens, senão vamos dar cabo do sistema”. Vale dar cabo dos dinheiros públicos é a lógica desta gente, que não quer ver os privilégios e os lucros tocados. Esta burguesia ociosa fica bem representada, por exemplo, na família Berardo: o comendador confrontado em sede da comissão parlamentar de inquérito com as dívidas à CGD, ao BCP e ao então Banco Espírito Santo, que ascendiam a 1 mil e 027 milhões de euros, declarou que não tinha dívidas e apenas possuía em seu nome uma garagem, agora soube-se que a mulher faleceu deixando uma fortuna de 140 milhões de euros que serão herdados pelos filhos e netos. Mais palavras para quê, é uma família portuguesa!

No mesmo sentido se deve entender a privatização da CP, depois do governo do PS ter investido 1,8 mil milhões de euros na aquisição de novos comboios - CP “fatiada” em quatro: Governo prepara subconcessão de linhas suburbanas. Cascais, Sintra-Azambuja, Sado e o conjunto das linhas suburbanas do Porto deverão ser exploradas por privados, mas sob a marca CP (da imprensa). Quanto à TAP, tudo indica que será a alemã Lufthansa a ficar com o bolo por inteiro, tendo já iniciado a construção de uma fábrica em Santa Maria da Feira. Para quem tivesse ainda algumas dúvidas, o antigo chairman da transportadora aérea, Miguel Frasquilho, é claro: "a TAP é uma empresa apetecível, vai trazer valor a quem se tornar acionista". Se não fosse “apetecível”, ou seja, geradora de grandes e garantidos lucros ficaria na posse do estado. O PSD nunca conseguiu esconder a sua febre privatizadora, lembremo-nos do governo de Passos Coelho que foi “além da Troika”. A seguir será a Segurança Social (SS) a ser entregue aos privados, bancos, seguradoras, fundos de investimento, de preferência estrangeiros. A ministra do Capital (não do Trabalho), que não desiste do “pacote laboral”, dará a conhecer o relatório para a sustentabilidade da SS dentro em breve.

Quando o governo e os bombeiros falham, é o povo que toma a iniciativa no combate aos incêndios.

Vários ministros já mostraram sobejamente que são uma fraude, da Saúde, do Trabalho, da Educação, pela simples razão de que o governo que integram também é uma fraude – um engano onde muitos eleitores portugueses caíram, mas caíram porque quiseram, os avisos eram muitos e visíveis – e liderado por um político sempre de riso sardónico para encobrir uma grande falta de seriedade e de coragem política. Este governo terá se ser demitido, nem que seja para bem da saúde pública do povo português. O PR Seguro terá alguma coisa a dizer sobre a urgência do assunto ou os trabalhadores terão de vir de novo para a rua?

Imagem de destaque: na net