sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A silly season acabou, o regime está em perigo

Depois de uma silly season atípica, um pouco à semelhança do Verão, os governantes, os partidos com representação parlamentar e os ditos “representantes da Nação”, todos eles parecem vir cheios de pica para o trabalho (figas, canhoto) e a primeira tarefa, questão decisiva para a manutenção da boa saúde das instituições do regime, que se conjectura que dure pelos menos mil anos, é a “exoneração, a pedido de várias famílias, do ministro da Administração Interna, os restantes, incluindo Montenegro, podem ficar. Quem mais reclama pela preservação do bom funcionamento de tais instituições, é quem tudo faz para as desacreditar, para as sabotar e por fim as destruir – extrema-direita, oligarcas e seus órgãos de propaganda, vulgo media mainstream, e comentadores e jornalistas avençados cerram fileiras.

Os "sucessos" de Montenegro

Pouco importa se os preços da gasolina e do gasóleo subam 11,5 e 13,5 cêntimos esta segunda feira, parece que o governo faz desconto de 3 cêntimos. Importante é ir doar equipamento energético à Ucrânia enquanto as vítimas da tempestade Kristin continuam à espera dos apoios prometidos por Montenegro. Quase normal e sem solução imediata, na opinião do ministro responsável pelo caos nos exames nacionais, que, em início do ano lectivo, ainda haja mais de 2.650 horários por preencher. Os tempos de espera nos hospitais públicos continuam, superiores a 10 a 11 horas para doentes urgentes, e a ministra vem desde há dois anos prometer que a concentração destes serviços resolverá o problema, em vez de o agravar. Faltam 14 mil enfermeiros no SNS e o ministério das Finanças apenas autorizou a contratação de uns poucos para que algumas das ULS não fechem.

Mas que importa tudo isto, haja dinheiro para Portugal pagar quase 10 mil milhões de euros, quase o dobro do empréstimo realizado para a compra das fragatas e outro material de guerra! Relembrar que Montenegro não se cansou de enaltecer, no seu discurso de encerramento da Universidade de Verão do PSD, os "sucessos" do seu executivo. Será que o sol que apanhou na praia lhe terá feito mal à moleirinha?!

Importante, importante foi o PRR ter chegado ao fim com menos betão e mais "amigo" das empresas. Ou seja, cinco anos depois e após sete revisões em benefício do patronato, o importante foi enfiar nos bolsos dos grandes empresários, nacionais e estrangeiros, a cor pouco importa, mais de 9 mil milhões de euros. E quais foram as empresas? Não foram nem pequenas ou médias nacionais, foram elas: Petrogal, do grupo Galp, que viu os lucros aumentados em mais de 40%, a Cimpor e Bondalti, que lideram a lista de felizes contempladas. Esclarecer que a Galp registou um lucro recorde de 1.154 milhões de euros em todo o ano de 2025 e de 812 milhões de euros no primeiro semestre de 2026. Entretanto, foram retiradas verbas da mobilidade sustentável, gestão hídrica e respostas sociais. Estas são coisas de somenos.

Comprar casa em Portugal ficou mais caro 7,5% no ano passado; habitação pesa cada vez mais no orçamento: famílias gastam 82% do rendimento em rendas; o salário não dura até o final do mês para 70% das famílias portuguesas. Mas o que é isto comparado com os “sucessos” do Luís que se ufana da elevada taxa de emprego e de Portugal crescer acima da média da União Europeia. Mas a realidade é tramada, o preço médio da venda da casa fixou-se em cerca de 3.693 euros/m², o que torna a habitação praticamente inacessível à maioria da considerada classe média, para não falar da generalidade do povo trabalhador. E a riqueza líquida das famílias por habitante em Portugal diminuiu 1,6% entre 2024 e 2025, contrariando o recorde global de crescimento. Isto é, a distribuição da riqueza produzida no país favoreceu o Capital em detrimento do Trabalho. Os ricos mais ricos, os pobres mais pobres – para quem não perceba.

Escola Pública e SNS são para destruir

Para além da falta crónica de professores, iniciada no tempo do governo PS/Sócrates e continuada pelo de Coelho/Portas/PSD/CDS, a percentagem de alunos pobres colocados no ensino superior diminuiu e é apenas de 3%. O que significa que o elevador social através da formação académica avariou de vez. Na prática, tem direito a ser doutor ou o filho de doutor ou de novo rico, a nova burguesia emergente, à custa dos benefícios e negócios do estado ou dos fundos europeus. As assimetrias sociais agravam-se, daí o empobrecimento também já crónico das camadas mais baixas e até intermédias da sociedade. Para quem anda mais distraído, cumpre-nos esclarecer que a inflação volta a “aquecer”, tendo acelerado para 3,3% em Agosto – a culpa é dos combustíveis, dizem.

Dizem, também, que há uma grave falta de enfermeiros no SNS, a Ordem dos Enfermeiros estima uma carência de cerca de 14 mil profissionais. Este ano, há três mil novos enfermeiros no mercado, mas hospitais não conseguem contratar porque o ministério das Finanças não autoriza – informa o director executivo do SNS. Alega “atrasos” na aprovação dos planos de desenvolvimento organizacional 2026. E a dita “ministra” (comissária liquidatária) da Saúde declara-se “preocupada” com falta de médicos anestesiologistas. Grande preocupação que levou nove chefes de equipa da urgência do Hospital D. Estefânia a apresentar a demissão devido à falta de anestesiologistas. A imprensa noticia que a ULS de São José tem 83 médicos desta especialidade para sete hospitais e três urgências. No entanto, muitos destes médicos desdobram-se entre o público e o privado e os mais novos trabalham por conta própria, tanto no SNS como no sector privado.

A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) em comunicado dignou-se informar o reviralho que: "A 24 de agosto, encontravam-se inscritos nos cuidados de saúde primários 10.769.099 utentes, dos quais 10.599.255 reuniam as condições de elegibilidade para atribuição de médico de família". Assim, a taxa de cobertura de médico de família é de 87% (9.234.694 utentes), enquanto 1.364.561 aguardavam atribuição. Em consequência da falta de médicos e do SNS falhar muitas vezes, problemas amplificados pela comunicação social mainstream, os portugueses foram empurrados para o logro dos seguros de saúde: os portugueses pagam em média 39 euros por mês pelo seguro de saúde. Ficou-se a saber que a clínica privada de fertilidade Ovom Care, que abriu em 2025 em Cascais, declarou falência, coisa que nunca tinha acontecido em Portugal. Estranho, mas aconteceu, e muitos utentes ficaram a arder em milhares de euros. Já depois de falida, há utentes a receber ainda contas para pagar. Como se constata, o negócio da doença está bem de saúde e recomenda-se.

A cobarde e belicista elite política do regime

Nas comemorações do 35º aniversário da independência da Ucrânia, vários figurões da UE e de Portugal fizeram questão de estar presentes, depois, como é óbvio, de terem avisado Moscovo para não lhes enviar míssil ou drone de boas vindas. Entre a delegação portuguesa, distinguiu-se o dito “Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Ucrânia da Assembleia da República”, presidido pelo deputado do PS Eurico Brilhante Dias. Dele fazem parte os brilhantes deputados Francisco Figueira (PSD), Rodrigo Saraiva (Iniciativa Liberal), Paulo Núncio (CDS-PP) e o incontornável Rui Tavares (Livre). O amor pelo neo-nazismo é inquebrantável nesta excelsa e mui democrática gente. Montenegro e Rangel ficaram-se pelas mensagens, não fosse o diabo tecê-las.

Esta subserviência a Bruxelas quanto a política externa e este amor acrisolado à guerra, movida cada vez mais directamente pela União Europeia contra a Rússia, é bem reveladora da falta de coragem política de quem ocupa o cargo governativo em Portugal, de quem não hesita em enfiar o país numa guerra que não é nossa, ou seja, do povo português. Ainda há pouco o ministro Rangel convocou o embaixador russo para dar explicações quanto ao pretenso ataque da Rússia a aeroporto da Alemanha. A que propósito, o ataque foi a território nacional? E o ataque terá sido mesmo real ou uma encenação levada cabo para incitar a russofobia entre o povo alemão e para Merz tentar não perder as próximas eleições que, fazendo fé nas sondagens, serão facilmente ganhas pela AfD? Nós portugueses, não seremos bucha para canhão. Os nossos (mau) dirigentes, incluindo o arrivista Costa, peguem na “canhota”, levem também os filhos, e pisguem-se já para a linha da frente. Ontem já era tarde.  

Imagem: Vasco Gargalo/Revista Sábado.